Freguesia de Ourentã - Cantanhede
  
                               
Inserida na área nordestina deste concelho e em área afecta à sub-região Bairradina, Ourentã detém uma razoável fatia de território, o qual se alonga de norte para sul, rodeado e delimitado pelos das congéneres Bolho (a nordeste), Sepins e Murtede (ambas a nascente), Cordinha (a sudeste), Pocariça (a poente) e finalmente Cantanhede (a sudeste). Nos limites meridionais entesta ainda com o vizinho termo municipal de Anadia. A superfície abarcada por esta freguesia andará estimada em 1788 hectares.
Trata-se de um ridente e fértil trecho de paisagem, de topografia suave mas animada por algumas pequenas anfractuosidades do terreno. Fica implantado à margem da ribeira do Olho, pequeno curso de água cuja designação recorda, uma vez mais, a peculiar forma toponímica atribuída localmente às nascentes de água.
Ourentã dista cerca de meia dezena de quilómetros para nordeste da sede de concelho e engloba ainda, para além da povoação sede, os lugares de Lapa, Póvoa do Bispo,  Sete Fontes e Pacinho.
 
CLIMA
O clima, conquanto temperado atlântico, sofre a transição para o mediterrânico, com verões quentes e poucos chuvosos, ocasionais ventos de leste continentais e também saarianos sempre secos, frios no Inverno e quentes no verão, a que o povo aqui chama de suão. De facto, eles poderão soprar originalmente do sul, mas entram cá vindos de Espanha
 
ECONOMIA
Ao nível da economia da Freguesia, podemos afirmar que aqui o que mais importante e de relevante é o sector primário, pois as terras de boa qualidade assim o proporcionam, sendo que a cultura da vinha se destaca, existindo mesmo na freguesia duas conceituadas marcas que são produzidas aqui, nomeadamente a REI DOS SANTOS e PAULO MARQUES. De destacar também a industria da pirotecnia aqui desenvolvida em ourentã, assim como o comércio local. Quem aqui não desenvolve a sua actividade profissional, desloca-se com maior frequência para a sede de Concelho, Cantanhede, onde ai têm os seus postos de trabalho.
 
HIDROGRAFIA
Hidrologicamente, é a freguesia percorrida por diversos ribeiros, ribeiras, valas, regueiras e outras linhas de água, a maior parte das quais se inicia no planalto de Murtede – Cordinhã a partir não de nascentes, mas do escoamento natural das águas selvagens pluviais. Todos os cursos se dirigem indirectamente para o Vouga ou para o haff-delta ou ria de Aveiro. No atrás referido planalto, é o traçado da antiga linha férrea da Beira Alta que divide as bacias hidrográficas do Mondego e do Vouga.
Todos os cursos secam, normalmente, no Verão ou porque este seja demasiado seco, ou devido às intensas regas dos campos.
 
Eis os principais:
 
VALA OU RIBEIRA DE PELAMES OU DAS SETE FONTES
Drena a zona vizinha da Estação de Murtede, Forcadas e Roselas, freguesias Murtede e Cordinha, tem nascentes na Fonte Fria, no olheiro da Azenha e principalmente nas Sete Fontes. Moveu azenhas, um lagar de azeite e irrigou outrora vasta zona. Passa entre a parte alta e a baixa de Ourentã, recebe outros cursos de água e aproxima-se do sul da Pocariça, nome por que é conhecido por alguns. A montante desta povoação há uma represa e ruínas de um grande tanque onde, em épocas não muito distantes, mas de remota origem, a indústria artesanal de curtumes, de certo relevo na localidade, lavava os pelames. Dai o nome.
Às suas águas se vão juntando outras até à Ponte de Vagos, Varziela, Lagoa de Mira, Canal da Balança, Haff-delta, vulgo rio de Aveiro.
 
RIBEIRA DO OLHO
Nasce a sul próximo de Ourentã, no Bezerreiro, numa zona calco-argilosa.
Em anos invernosos, o seu caudal aguenta-se até tarde e vai engrossar a vala das Sete Fontes, um pouco a poente da povoação. Serve de referencia a alguns autores para a localização de Ourentã. O Dr. Viriato de Sá Fragoso considera-a como receptora de outras.
 
VALA OU RIBEIRA DAS FORCADAS, OU DE OURENTELA
Drena as águas de parte do Bairro de Stº André, Cordinhã, j+a além do apeadeiro, parte das Forcadas e das Cardosas, a Valada onde, em certos Invernos, as nascentes irropem fortemente sustentando-a quase até ao Verão. Junta-se-lhe a de Ourentã que vindo das Avisadas, passa junto à fonte e nas chamadas hortas desta localidade, depois entre Ourentã e a Ribeira do Olho, á qual se aglutina muito próxima da Vala de Pelames.
 
RIBEIRA OU VALA DA ANABÁ, ESPINHEIRA OU FONTE DE D. PEDRO
Inicia-se nas vertentes oriental, norte e meridional da Póvoa da Lomba, vence a custo a depresão do Vale Maior onde, em anos invernosos, forma uma lagoa, drena zonas das freguesias de Cordinhã  e também de Ourentã como Valoiro, Cova da Caldeira, Cardosas, Almarges, Vale Pialho, Costa, separa as freguesias de Ourentã e Cantanhede, passa sob a E.N. 234 à Anabá e entre Cantanhede e Pocariça, juntando-se à de Pelames já próximo da Ponte de Vagos.
 
RIBEIRA DO RAMILO
Começa por recolher as águas pluviais do vale Carepa, na freguesia de Murtede, ainda próximo das sete Fontes, percorre a vasta zona florestal dos Marzogos e Mentes. Junta-se-lhe nos chamados Lagares da Lapa, uma outra proveniente dos lados de Ourentã – Martinas, machados e parte das Mosqueiras – e, daqui para diante, fortemente engrossada com nascentes e outras linhas de água, o seu caudal foi aproveitado, como grande força motriz até ao Ramilo, no extremo norte da freguesia. Daqui prossegue entre as de Bolho e Serpins. Guinando a nascente, corre junto a Ventosa do Bairro, concelho da Mealhada. Lança-se no rio Cértoma a montante da Cúria, rumo à Pateira de Fermentelos, rios Águeda e Vouga.
 
RIBEIRO DA PÓVOA DO BISPO
Recolhe grande das águas das Mosqueiras, Lagoa do Cardo, Cataró e Carafuncho, entre Ourentã e Póvoa do Bispo. Separa este lugar do Pacinho. É engrossado com nascentes aqui existentes e com as de uma vala que vem do Enxudro e das Gândaras. Fez mover, pelo menos, duas azenhas. Vai desaguar na Ribeira do Ramilo onde outrora existiu esta localidade.
 
RIBEIRO DO VISO
Recebe águas na freguesia de Murtede, a NO da Capela de S. Jorge, Porto de Murtede, Hortinhas, onde entra na freguesia de Ourentã. Tem nascentes vindas dos lados de Serpins.
Próximo já do Viso e, também, juntoe depois deste extinto povoado, moveu azenhas. Aproxima-se da ribeira do ramilo nas Ribeiras da Lapa, mas corre, por conveniência agrícola na encosta oriental, só se juntando, depois do Ramilo, na Sanguinheira, entre as três freguesias: Ourentã, Bolho e Sepins.



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